O ano é 2026 e por aí você ainda vai ouvir muito “não compro em brechó, porque roupa usada tem energia ruim” ou “não compro em brechó, porque sabe se-lá de onde essa roupa saiu (vai que o último dono dela já morreu)” ou “não compro em brechó, porque é sempre um amontoado de roupas” e tantos outros termos que se usam por aí. Mas na prática, olhando bem para o mercado secondhand (usado), existe uma mudança que aconteceu nos últimos anos.
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Os brechós mudaram a forma com que a moda circular é vista, consumida e entendida, chegando a ultrapassar o fast fashion. Segundo levantamento do Sebrae, o Brasil já contava com mais de 118 mil brechós em funcionamento em 2023. E a expectativa é de crescimento. Estimativas apontam que o mercado global de produtos de segunda mão deve movimentar US$ 393 bilhões até 2030.
Muitos empreendimentos foram surgindo, principalmente no período pandemia e pós-pandemia. Lojas físicas fecharam e precisaram se adequar a um novo formato de consumo que vinha crescendo: o digital. Em contrapartida, o consumidor parado em casa, viu nesse momento a oportunidade de repensar a próprio consumo: aquilo que estava parado no guarda-roupa ou na casa tornou-se a oportunidade de virar uma grana extra. Nesse período o comportamento muda e o mercado de segunda mão deixou de ser apenas uma opção econômica para se tornar um verdadeiro estilo de vida. Segundo levantamento do Boston Consulting Group (BCG), 56% dos brasileiros já comercializaram artigos usados, com a moda liderando o segmento: roupas representam quase 50% da adesão, seguidas por calçados (34%) e acessórios (33%).
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Impulsionada principalmente por Millennials e pela Geração Z, a tendência cresce como resposta direta à inflação e ao aumento dos preços do varejo tradicional. O estudo aponta ainda que 14% dos consumidores de secondhand são motivados pelo desejo de adquirir marcas premium, encontrando no mercado de usados uma forma viável de acesso a produtos antes fora do orçamento.
Quando falamos de Moda Sustentável, Secondhand, ou Brechó, estamos falando do impacto da indústria da moda para o meio social e ambiental. A forma como percebemos e consumimos moda muda a partir do momento em que refletimos sobre os processos da moda.
Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2024, com 2.254 entrevistados, mostrou que 73% dos consumidores buscam boas oportunidades e preços competitivos - pechinchas, promoções e cortes de custos na hora de adquirir algum bem ou serviço. Na sequência aparecem aqueles motivados pelo consumo consciente, que representam 31% - priorizam o impacto ambiental, a sustentabilidade e a responsabilidade social das marcas.
Quando a análise é feita por faixa etária, os adultos respondem por 60% dos compradores. Os jovens têm uma participação menor, porém, relevante e representam 12% do público.
No meio disso tudo fica a questão: será que como consumidores passamos a nos importar o suficiente para questionar o impacto da moda no meio social e ambiental?
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